{"id":955,"date":"2017-09-13T07:00:09","date_gmt":"2017-09-13T10:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/events.sustainablebrands.com\/sb17saopaulo\/?p=955"},"modified":"2017-10-21T20:44:26","modified_gmt":"2017-10-21T22:44:26","slug":"ativismo-corporativo-quando-as-empresas-viram-militantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/pt\/ativismo-corporativo-quando-as-empresas-viram-militantes\/","title":{"rendered":"Ativismo corporativo: quando as empresas viram militantes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1004\" src=\"events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-1024x535.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-1024x535.png 1024w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-300x157.png 300w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-768x401.png 768w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-212x111.png 212w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-400x209.png 400w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-355x185.png 355w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-306x160.png 306w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-642x335.png 642w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace-744x389.png 744w, https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170914-Greenpeace.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><em>Por Renato Guimaraes, Jornalista, Especialista em processos de mobiliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social e Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma empresa pode ser ativista social? Em outras palavras, d\u00e1 para uma companhia sair do seu quadrado de acumula\u00e7\u00e3o de capital para investir ativamente na mudan\u00e7a de paradigmas sociais?<\/p>\n<p>N\u00e3o estou falando aqui dos conceitos j\u00e1 ultrapassados de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade. Mesmo que no Brasil o \u201ctriple bottom line\u201d n\u00e3o passe de conversa fiada para muitas empresas, o fato \u00e9 que na pr\u00e1tica incorporar o conceito de equil\u00edbrio entre o financeiro, o ambiental e o social j\u00e1 virou meio que lugar comum.<\/p>\n<p>Aqui estamos falando de algo mais profundo: que empresas se envolvam institucionalmente no debate sobre temas p\u00fablicos, alguns altamente controversos, como equidade de g\u00eanero, racismo, homofobia. Isto em um contexto de sociedades extremamente polarizadas em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Muitos cr\u00edticos, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, caem da pau neste ativismo corporativismo, taxando-o como um deslocamento oportunista ou ing\u00eanuo do local de fala tradicionalmente atribu\u00eddo \u00e0s empresas. Com isto, elas estariam ou roubando o espa\u00e7o t\u00edpico de ONGs e movimentos sociais, ou submetendo suas marcas a riscos enormes, trazendo potencial preju\u00edzo para os shareholders.<\/p>\n<p>Eu, particularmente, dou muito boas-vindas ao ativismo corporativo. Desde que, claro, ajude a avan\u00e7ar pautas positivas da sociedade. Afinal, como qualquer ativismo, este pode tamb\u00e9m puxar pautas negativas, como vemos nos Estados Unidos com o apoio consistente das Ind\u00fastrias Koch ao pior do conservadorismo americano.<\/p>\n<p>Mas, pensando em casos positivos, vale destacar alguns exemplos j\u00e1 cl\u00e1ssicos como o da Ben &amp; Jerry, uma empresa de sorvetes que nasceu nos anos 70 a partir do DNA ativista de seus fundadores, os amigos de inf\u00e2ncia Ben Cohen e Jerry Greenfield. O <a href=\"mailto:http:\/\/www.benjerry.com\/values\/issues-we-care-about\">ativismo pol\u00edtico e ambiental<\/a> veio como parte do DNA da marca, que cedia \u2013 e continua cedendo &#8211; espa\u00e7o em suas lojas para ONGs e grupos comunit\u00e1rios se reunirem. A compra da B&amp;J, em 2000, pela Unilever <a href=\"mailto:http:\/\/www.nytimes.com\/2000\/04\/13\/business\/ben-jerry-s-to-unilever-with-attitude.html\">envolveu compromissos<\/a> de que o aspecto ativista seria mantido e, de fato, a marca de sorvetes segue sendo, por exemplo,\u00a0 uma das l\u00edderes da luta contra o aquecimento global no mundo corporativo.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de roupas outdoor Patagonia \u00e9 outro exemplo de ativismo corporativo associado ao DNA da marca. Curiosamente, a empresa tamb\u00e9m nasceu nos anos de transi\u00e7\u00e3o do hippismo para o ativismo politico dos anos 70 e desde aquela \u00e9poca defende o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais na ind\u00fastria de vestu\u00e1rio. A empresa se apresenta publicamente como uma companhia ativista, registrando em seu <a href=\"mailto:http:\/\/www.patagonia.com\/the-activist-company.html\">site<\/a> (em tradu\u00e7\u00e3o livre): \u201cNa Patag\u00f4nia, a prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente n\u00e3o \u00e9 o que fazemos de extra. \u00c9 a raz\u00e3o pela qual estamos no neg\u00f3cio e do trabalho de todos os dias.\u201d<\/p>\n<p>A Body Shop \u00e9 mais uma empresa que nasceu com um DNA ativista (tamb\u00e9m nos anos 70!), de recusa a testes com animais e uso de elementos naturais em seus produtos. O <a href=\"mailto:http:\/\/www.thestar.com.my\/lifestyle\/archive\/2011\/03\/31\/the-body-shop-is-all-about-responsible-profit-and-social-activism\/\">aspecto de ativismo<\/a> foi muito fortalecido nos anos 80, incluindo v\u00e1rias campanhas em conjunto com o Greenpeace. A marca foi comprada em 2006 pela gigante francesa de cosm\u00e9ticos L\u2019\u00d3real mas ambas empresas nunca chegaram realmente a se fortalecer mutuamente.<\/p>\n<p>A recente <a href=\"mailto:http:\/\/braziljournal.com\/a-body-shop-e-o-que-a-natura-precisa-\">compra da Body Shop pela Natura<\/a> junta duas marcas com uma identidade semelhante. Resta saber qual ser\u00e1 o impacto para a gigante brasileira, cujo posicionamento de marca no campo da sustentabilidade parece n\u00e3o ser mais um diferencial t\u00e3o significativo como antes. Ser\u00e1 a Natura capaz (ou ter\u00e1 o interesse de) tornar-se uma empresa realmente ativista, incorporando o melhor do DNA da Body Shop?<\/p>\n<p>Pode-se argumentar que Ben &amp; Jerry, Patagonia e Body Shop j\u00e1 nasceram com esta pegada ativista. Mas como fica isso em empresas tradicionais? Temos um exemplo recente com a gigante Procter &amp; Gamble, dona de marcas como Pumpers, Oral-B e Gillette, e que est\u00e1 corajosamente apoiando um debate p\u00fablico nos Estados Unidos sobre racismo e empoderamento da comunidade negra.<\/p>\n<p>Com a campanha <a href=\"mailto:https:\/\/www.pgeveryday.com\/tag\/my-black-is-beautiful\">\u201cMy Black is Beautiful\u201d<\/a> a empresa busca estimular um debate p\u00fablico sobre os preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es que atormentam o cotidiano dos afro-americanos. Um v\u00eddeo lan\u00e7ado recentemente no contexto da campanha, chamado<a href=\"mailto:https:\/\/youtu.be\/ovY6yjTe1LE\"> \u201cThe Talk\u201d<\/a>, j\u00e1 foi assistido mais de 2 milh\u00f5es de vezes e vem gerando muita pol\u00eamica, ao estimular que as fam\u00edlias negras falem sobre &#8211; e tornem transparentes &#8211; os diversos tipos de preconceitos sofridos no dia-a-dia.<\/p>\n<p>Alguns anos atr\u00e1s a empresa j\u00e1 havia feito uma grande campanha ao redor do tema de equidade de g\u00eanero, tema que continua na pauta da empresa com o lan\u00e7amento este ano, \u00e0s v\u00e9speras do Dia Internacional da Mulher da campanha \u201c<a href=\"http:\/\/ethicalmarketingnews.com\/procter-gamble-launch-new-gender-equality\">We See Equal<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>O porta-voz da P&amp;G <a href=\"mailto:http:\/\/www.nydailynews.com\/news\/national\/proctor-gamble-stands-talk-ad-controversy-article-1.3391920\">explica a l\u00f3gica<\/a> por tr\u00e1s deste ativismo: &#8220;Fazemos isso porque acreditamos que falar sobre esses t\u00f3picos leva a uma maior compreens\u00e3o e que isso resulta em mudan\u00e7as. No cerne disso, acreditamos fortemente na equidade, de forma a termos um mundo que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 bom para a sociedade, mas para os neg\u00f3cios&#8221;.<\/p>\n<p>Particularmente n\u00e3o tenho d\u00favida de que uma empresa com o porte e capilaridade da P&amp;G ao empurrar debates como estes, do racismo ou inequidade de g\u00eaneros, tem um impacto positivo na sociedade como um todo. O que, no m\u00e9dio prazo, ajuda a fortalecer a marca, apesar dos ataques que esta possa sofrer dos<em> haters<\/em> neste mundo polarizado em que vivemos.<\/p>\n<p>Acho o mesmo para a Skol, quando resolve finalmente deixar para tr\u00e1s a propaganda baseada em mulheres gostosonas na praia e investir da diversidade dos consumidores.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es existir\u00e3o sempre. Assim como a tenta\u00e7\u00e3o de capitalizar as a\u00e7\u00f5es de ativismo social apenas do ponto de vista de marketing. Mas acho o movimento extremamente positivo. H\u00e1, claro, um desafio interno dentro das corpora\u00e7\u00f5es de formar profissionais capazes de lidar com esta nova din\u00e2mica, de dialogar com a sociedade em termos que ultrapassam o mero posicionamento de marca ou de produto. Mas at\u00e9 a\u00ed vemos algumas inciativas interessantes, como a j\u00e1 citada Ben &amp; Jerry quando abre espa\u00e7o para um posto como o de \u201cGerente de Ativismo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favida de que este movimento logo ser\u00e1 seguindo por outras empresas, abrindo novas frentes no mercado de trabalho, novas reflex\u00f5es e gerando novas pol\u00eamicas. Mas na m\u00e9dia, a sociedade como um todo se beneficiar\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Guimaraes, Jornalista, Especialista em processos de mobiliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social e Diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil &nbsp; Uma empresa pode ser ativista social? Em outras palavras, d\u00e1 para uma companhia sair do seu quadrado de acumula\u00e7\u00e3o de capital para investir ativamente na mudan\u00e7a de paradigmas sociais? N\u00e3o estou falando aqui dos conceitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":101011,"featured_media":1004,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/955"}],"collection":[{"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101011"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=955"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1024,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/955\/revisions\/1024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/events.sustainablebrands.com\/conferences\/sb17saopaulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}